Entrevista com Julia Simões

Posted: 31/10/2010 by Rodrigo Alves

Julia Simões está toda prosa. É que a chegada da filha Clara, de seis meses, trouxe para sua vida novos significados. Nesta entrevista ao blog Dando Nota, ela fala sobre sua atual fase. E garante: “minha profissão é ser mãe em tempo integral”. Mesmo assim, não passa pelos planos da cantora deixar os palcos de lado, por isso encontrou uma brecha na apertada rotina para elaborar o repertório do show Músicas que nos Abraçam, que ela apresenta no dia 3 de novembro, às 20h, com o músico Otiniel Aleixo, o Legal, no Teatro Municipal Dr. Losso Netto. Com 33 anos de idade e 20 de carreira, a piracicabana natural de Campinas diz ter pensado em um repertório que transmitisse, por meio da música, sentimentos como amor, paixão, medo, saudade e tristeza. Com a palavra, Julia Simões!

Esta é a sua primeira apresentação no Teatro Municipal depois de Todo Universo, show realizado em setembro de 2008?
Fiz uma apresentação em 2009 e outra em agosto deste ano, no show Falando da Vida (espetáculo que existe há 25 anos, dos quais estou há 15).

Mas essa apresentação no Teatro representa sua volta aos palcos de uma forma mais intensa?
Eu acredito que, pelo momento de vida , sim. Mas todos os meus trabalhos busco fazer com intensidade, eu sou uma pessoa intensa. Faço tudo com muita verdade, responsabilidade e profissionalismo. Acima de tudo, coloco o meu coração e minha alma. Fazer as coisas com paixão é o que me move, é o que me faz viver!

Quando realizou o show de 2008, houve toda uma preocupação técnica, para que dali saíssem um CD e um DVD. Eles não foram lançados por quais motivos?
O Todo Universo foi um show idealizado por mim e pelo músico e produtor Renato Guizelini, que na ocasião era meu namorado. Viemos a nos separar e, como todas as músicas, arranjos, enfim, toda a produção do show era nossa, ficou difícil trabalhá-lo, uma vez que trazia lembranças e sentimentos que já não tinham mais sentido para mim. Então pensei em deixar esse show “encostado” até o tempo dizer o que fazer com o projeto que, sem dúvida, ficou lindo e muitos esperaram por ele. O DVD ficou pronto sim e o CD também. Ainda não penso em lançá-los, mas quem sabe um dia. O importante é que o registro está lá, bem guardado. Alguns vídeos podem ser vistos no YouTube. É só acessar Julia Simões que tem bastante coisa lá.

Conte um pouco da sua rotina de mãe. Como tem sido a experiência?
Ai… ai… A rotina é: acordar, dar mamadeira, brincar, cantar, ver videozinhos, trocar fralda, dar frutinha, papinha, chazinho, banho, suquinho, brincar mais um pouquinho, dar muitos beijinhos e fazer naninha (risos). Mas falando sério: ser mãe é aprender o verdadeiro sentido da palavra amor. É doar-se sem limites. Ter um bebê dá trabalho (e põe trabalho nisso!). Mas a recompensa é o sorriso do freguês, é a passadinha de mão no rosto, é sentir o cheirinho de leitinho azedo no cangote. É bom demais ver como o bebê evolui, aprender a cada dia cada coisinha nova (e cada semana é uma coisa). O bebê aprende e a gente aprende com ele. Estou reaprendendo a viver através da minha filha. Observando as reações dela, encontro uma cartilha de lições de vida. E com essa anjinha, tenho aprendido a cultivar melhor a minha paz de espírito, a ter mais fé na força do amor. Estou aprendendo a reclamar menos e a agradecer mais. O coraçãozinho da Clara hoje cuida do meu coração.

Tem se apresentado em São Paulo, em casas tradicionais, como fez em uma fase de sua carreira?
Não. No momento, minha profissão é ser mãe em tempo integral! Cantar eu canto mesmo, a qualquer hora. Isto está em mim, faz parte de mim. Mas estou curtindo ao máximo esse momento da minha vida, que passa muito rápido. Aos poucos estou retomando os shows, mas agora muito mais seletiva com os trabalhos.

Há quanto tempo você conhece o músico Legal e em qual momento surgiu a parceria entre vocês?
Nos conhecemos há 15 anos. Mas há dois anos, exatamente após a minha separação do Renato (que além de meu namorado era o musico que me acompanhava sempre), encontrei no Legal o parceiro que procurava para desenvolver o meu trabalho. Além de ser um grande violonista, está sempre me incentivando, ajudando a buscar novos repertórios. E a parceria não poderia ser mais legal!!!

Irá apresentar cancões inéditas de sua autoria ou compostas para você, como fez em 2008?
Escolhemos um repertório de compositores já conhecidos e canções já gravadas, embora nem todas sejam tão famosas.

Adiante parte do repertório…
Há Palavras que nos Beijam (interpretada pela cantora de fado Mariza); Beijo Partido (Toninho Horta); Choro Bandido (Edu Lobo/Chico Buarque); Dos Cruces (Carmelo Larrea); Miedo (Pedro Guerra/Lenine/Robney Assis); The Fool on The Hill/In My Life (John Lennon e Paul Mc Cartney); Al Otro Lado del Rio (Jorge Drexler); Vieste (Ivan Lins/Vítor Martins), entre outras de Gil, Milton, Violeta Parra, Ivan Lins, Elis…

Quais são as participações especiais no show?
Teremos a participação de músicos convidados: Bruno Coppini (baixo); Paulo Bandel (violoncelo), Eloy Porto (trombone), Maicon Araki (percussão) e Marcelo Silveira (violão).

O título que vocês escolheram para essa apresentação possui bastante inspiração. Como surgiu?
A princípio, a ideia do show surgiu de um sonho que o Legal teve. Um dia ele me disse: ‘Julia, eu sonhei com você cantando num palco enorme e ouvi som de cordas, violoncelo…’ Então, depois que conseguirmos a data no Teatro, começamos a pensar num tema. Depois de várias conversas e tocarmos algumas músicas, escolhemos uma canção: um fado português interpretado pela cantora Mariza que se chama ‘Há Palavras que nos Beijam’. Chegamos a pensar nesse nome para o show. Mas a música não precisa necessariamente de palavras para nos falar à alma. A melodia e a harmonia já fazem isso muito bem, mexem com nossos sentimentos sem dizer sequer uma palavra. Daí chegamos a conclusão de que as músicas, quando nos emocionam, nos abraçam. Surgiu, então, a ideia de escolhermos um repertório que nos emocionasse, que falasse, com palavras ou não, sobre os sentimentos humanos mais profundos como amor, paixão, medo, saudade, tristeza…

Em abril de 2009 você participou do extinto Astros do SBT e até foi para a final. O que fez você procurar um programa como este?
Na verdade eu não procurei. O pessoal da produção chegou até mim e fez o convite para participar. Daí pensei, pensei… e, apesar de não ser o meu perfil, achei que não tinha nada a perder. E não perdi mesmo.

No que a participação lhe ajudou?
Ganhei a experiência de estar numa grande emissora, conheci muita gente interessante, músicos bacanas (que mais tarde até me renderam alguns trabalhos em São Paulo, mas nada expressivo). Vivi. Pronto! Eu sou daquelas que pensa: ‘melhor se arrepender do que fez do que se arrepender do que não fez’. No caso, não me arrependi de nada, mas se não tivesse topado ir por algum preconceito, não poderia estar falando agora isso aqui para você. Está ali marcado na minha minha história. Foi bacana. Confesso que vivi! (risos)

Por um tempo você morou em São Paulo para tentar a carreira. Qual foi o motivo da volta para casa, digo, Piracicaba?
Voltei porque engravidei e quis ficar perto do meu amor. Além de criar minha filha em Piracicaba, que eu amo demais. São Paulo é loucura. Bom para se trabalhar, mas lá eu não era a Julia Simoes que todos conhecem aqui em Piracicaba. Lá em São Paulo eu era apenas mais uma cantora que cantava bem. Ponto. Senti falta de ser paparicada pelos meus fãs, sim. Tá, confessei, pronto! (risos)

Deixe uma mensagem para os fãs.
Esse show é uma prova de que não me esqueci de vocês! E quem torce por mim, sei que entenderá essa minha ausência temporária. Mas o momento de gestação da Clara também coincidiu com o momento de gestação de vários projetos. Um deles é esse show que farei com o Legal no Teatro. Outro é um CD que estou terminando de fechar o repertório para gravá-lo e lançar no ano que vem (este, sim, com canções inéditas e talvez até algumas do show Todo Universo). E um projeto de CD e show infantil. Aguardem!

SERVIÇO – Projeto Prata da Casa, com o show “Músicas que nos Abraçam” de Júlia Simões e Legal. Na quarta-feira, 3 de novembro, às 20h, no Teatro Municipal Losso Netto (avenida Independência, 277, Centro). Ingressos custam R$ 20 (antecipados); R$ 30 (no dia) e R$ 15 (estudantes, idosos e promocionais). Mais informações: (19) 3433-4952 e 3434-6528. Contatos com a cantora pelo site www.juliasimoes.com, pelo blog www.julia77.blog.uol.com.br ou pelo twitter @julia_simoes.

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